Por que vens a mim? Por quê? Se não me amas (ou quer acreditar nisso veementemente)?
Por que te deitas e te deleitas em minha alcova?
Digo-te. Não é pelos meus braços. Nem pelas minhas pernas, boca, vulva, ânus...
Nada disso te traz a mim.
Muito menos pelos encantos de beleza, coisa de que fui privada... Minha pele? Não. Meus beijos? Talvez. Mas, não exatamente. Tudo isso, ou mais, tens em casa.
Fico me perguntando e penso que não conseguirei saber nunca.
Mas, num súbito, revejo tua imagem, ao pé da minha cama.
Como uma criança, apesar de homem...
O que te traz a mim, são meus ouvidos vaginais, que tua voz penetra a cada final de gozo.
Sentes necessidade de penetrar-me o ouvido com tua voz fálica. Falas de tudo.
Do trabalho. Do futebol. Do casamento falido. Da prestação da casa. Do salário pouco. De política. Da unha encravada. Pagas. Sai. Fico.
E cada palavra do que dizes, soa para mim como uma declaração de amor.
Por isso vens a mim. Porque me amas. Ou quer duvidar disso veementemente.
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